
Krallice é uma banda a parte mesmo. Realmente muda tudo. Não sei se devia estar escrevendo isso agora ao som de "Monolith of Possession" porque toda a imparcialidade que eu poderia ter(e nunca tive) se esvai diante de "riffs" tão impressionantes.
Vou tentar resumir algumas coisas (que acho) que acho sobre essa banda.
Primeiramente temos dois dos guitarristas mais virtuosos e que a princípio não tinham tanto a ver com o Black Metal. Tinham a ver muito mais com a música experimental de modo geral(exatamente o que trouxeram para o nosso querido BM).
Em segundo lugar, eles podiam inovar de mil maneiras, mas eles escolheram a mais óbvia e menos usada. Inovar o tremolo. A técnica consagrada usada em 99% das bandas de Black Metal.
Duas guitarras fazendo tremolos paralelos que são harmônicos ou não, algumas vezes dissonantes em outras tantas arrastados e melódicos. Talvez pareça comum ou no mínimo não tão inovador. Mas Krallice eleva isso à n-ésima potência, sabendo que n
→ ∞. Tudo isso é acompanhado da mais pura busca técnica inovadora. Vinda de uma banda completamente capaz, baterista de ténica apurada e um baixista que como o lemos já frisou, está lá. E no caso de Dimensional Bleedthrough este seja talvez mais importante do que os vocais. (poucos, esparsos e sem sequência)
Dimensional Bleedthrough é um album longo de um Black Metal científico, focado na típica barreira de som que bandas como Wolves in the Throne Room fazem, mas exatamente por pelo menos soar como "música científica" é muito mais exploratório em suas texturas e alicerces do que todas essas bandas.
Mais difícil que o "Krallice" já era, mais denso(não necessariamente melhor). As estruturas são confusas ao ponto de que para aqueles que ouvirem como "música de fundo" as melodias soarão como uma sequência de notas(e só). A noção de riff aqui fica um pouco perdida pois não só a estrutura da música é linear, as "melodias" também em sua maioria são. Pior, trechos usados numa espécie de linearidade circular(como chamei as longas sequências de melodias que se repetem) são a ferramente de coerência das músicas.
É importante frisar o efeito ao decorrer do álbum destas músicas. As sequências de atonalidades, explorações sonoras, os setenta e sete minutos compostos quase em sua totalidade de tremolos e do efeito sonoro de uma banda de black metal à plenos pulmões muito provavelmetne deixarão em transe os mais interessados nesse tipo de lavagem cerebral.
Não falei quase nada, não especifiquei quase nada. Então ouçam e surpreendam-se com o instrumento musical mais legal que existe no gênero mais aberto que existe. Provavelmente os primeiros tremolos da primeira música já explicarão o que as palavras aqui me faltaram.
PS: Fazendo uma analogia com o primeiro álbum vou ressaltar que o primeiro álbum era mais melódico e de um ponto de vista "comum/óbvio", mais emotivo/bonito. Enquanto o segundo álbum pega pra si em uma só martelada esse aspecto científico/pesquisa de campo do "método tremolo de ser".
PS 2: Até o dia 12 de dezembro de 2009 posso garantir que esse é o meu "preferido de 2009".
[Download] [10,0/10,0]Por Matheus
PS Lemos: "Krallice é a Banda. É depressiva de tão boa e de como é composta por músicos tão bons... Para outros músicos é até bem depressivo...='( "